quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Alguns números sobre a Usina do Belo Monte

Menos pobreza no governo do PT

Outro dado que nos anima: o salário mínimo vai ter reajuste real de 7,5% em 2012, indo para R$ 622.
Ou seja, a base da pirâmide, nossa maior e melhor base de crescimento, terá reforço na veia.

Essa base é a base de nossa revolução: a emergência das pessoas.
Porque as pessoas sonham grande e correm atrás dos seus sonhos.
E materializar sonhos é a forma mais gostosa de inovar.

Quem disse que o aborto não é liberado para os pobres ?

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A economia brasileira afeta diretamente os países vizinhos.

Segundo Roberto Simonard, professor de economia internacional e comércio exterior da ESPM-RJ (Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro), o Brasil é liderança econômica na América Latina e exerce influência em países como Paraguai, Uruguai, Argentina e Bolívia, principalmente em setores como energia e siderurgia.

Economias interligadas
A América Latina, de acordo com Simonard, tem uma boa reserva e isso se deve ao aquecimento da economia brasileira, que puxa todos os outros países. Se esse cenário mudar, a influência será a mesma, só que negativa. “As economias estão ficando muito interdependentes e, caso a economia brasileira fique estagnada, esses países com certeza também terão problemas”, afirma.

Se o Brasil vai bem, consequentemente aumenta as exportações dos países vizinhos. Mas se o país diminui o crescimento de sua economia, a demanda também diminui. “Importamos muito petróleo da Venezuela e arroz do Uruguai, por exemplo. Se deixarmos de comprar, é aí que vamos afetar os países vizinhos”, conta Jobson Monteiro Souza, professor de economia internacional da FECAP. Segundo ele, a economia latina como um todo é muito influenciada pelo Brasil, mas alguns países acabam se destacando.

Argentina
Na América Latina, a Argentina é um dos países de maior relação comercial com o Brasil. Pedro Moreira Leite, presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Turismo Brasil-Argentina, conta que o país do tango é o terceiro maior parceiro comercial brasileiro. De janeiro a novembro de 2011, o comércio bilateral entre os vizinhos chegou à casa dos US$ 35 bilhões – sendo US$ 15,5 bilhões em exportação da Argentina para o Brasil (mais de 20% das exportações totais dos portenhos) vão para o Brasil, enquanto US$ 20 bilhões seguem no sentido contrário.

Além da balança comercial positiva, o Brasil apresenta outra vantagem sobre a Argentina: se as exportações diminuírem para o país vizinho, o resultado não terão o mesmo impacto, caso fosse o contrário. Como as exportações de produtos e insumos brasileiros alcançaram US$ 239,97 bilhões no acumulado do ano até dezembro, o valor exportado para a Argentina foi responsável por aproximadamente 6,5% desse total.

Segundo Simonard, em relação ao mercado de automóveis, por exemplo, a relação é de quase dependência: 90% dos veículos que a Argentina exporta vêm para o mercado nacional. Leite afirma que há, inclusive, produtores médios de azeite, azeitonas e frutas secas, por exemplo, que dependem 100% dos compradores brasileiros.

Sem contar a grande influência que o turista brasileiro exerce na economia argentina atualmente. “Se pararmos de viajar, isso terá impacto direto no mercado portenho. De um jeito ou de outro, se estagnarmos, pararmos ou diminuirmos o fluxo de turistas brasileiros, os argentinos sentirão os efeito na economia no dia seguinte. E, certamente, muito mais do que os outros países vizinhos”, explica.


Ógui
especial para o Terra

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Regulação de publicidades dirigidas às crianças é urgente

É o que aponta Gabriela Vuolo, do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana. Ela destaca que, embora a Constituição tenha dispositivos de proteção das crianças de apelos para o consumo, ainda não há uma lei específica para o assunto no país.







Em artigo, Gabriela conta que recentemente o Instituto Alana firmou um convênio com o Observatório de Mídia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) para um monitoramento da publicidade direcionada ao público infantil.

A primeira medição, feita nas semanas que antecederam o Dia das Crianças, verificou que 64% de todas as publicidades em 15 canais de televisão foram direcionadas ao público menor de 12 anos. Um único fabricante de brinquedos chegou a anunciar aproximadamente 9 mil vezes.

Além de produtos infantis, também estão em comerciais voltados para crianças produtos como carros, celulares, cosméticos, roupas e eletrodomésticos. Enquanto isso, o Projeto de Lei 5.921, de 2001, que trata sobre a regulação da publicidade infantil, completou este ano 10 anos em tramitação na Câmara Federal.

Gabriela diz que o texto do PL precisa ser ajustado, destacando que as contribuições devem visar o "redirecionamento das mensagens mercadológicas aos adultos". Ela explica que "os pequenos ainda estão em fase de desenvolvimento e não compreendem as complexas relações de consumo", sendo "facilmente seduzidos pela linguagem da publicidade". (pulsar/carosamigos)


gr
23/12/2011

Ao longe o mar

Livro "A privataria tucana" está bombando ! Tadinho do Cerra !

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

‘Brasil pode se tornar desenvolvido em 20 anos'

27/11/2011 - 10:47h


Para economista criador dos Brics, Brasil, Rússia, Índia e China não podem mais ser considerados países emergentes

27 de novembro de 2011

DANIELA MILANESE , CORRESPONDENTE / LONDRES – O Estado de S.Paulo

Antes do fim desta década, um representante dos Brics ocupará a chefia do Fundo Monetário Internacional. Até 2020, o yuan e o real passarão a compor o Direito Especial de Saques (SDR, na sigla em inglês), “moeda” do FMI, ao lado do dólar, euro, iene e libra. O Brasil tem as maiores chances de se tornar um país desenvolvido, o que pode ocorrer em 20 anos.
Jim O’Neill continua sonhando com o futuro dos Brics. A história da criação do conceito, a evolução dos países e suas perspectivas estão no livro The Growth Map: Economic opportunity in the Brics and Beyond (O Mapa do crescimento: as oportunidades econômicas nos Brics e além), que terá lançamento global em 5 de dezembro e deverá ter versão em português em 2012.
Em entrevista exclusiva à Agência Estado, em Londres, ele mantém o tom sempre otimista e contemporizador. Admite que a grave crise da zona do euro afetará os Brics, mas acha que a China, longe de ser uma bolha prestes a estourar, tem capacidade de contrabalançar os problemas do velho continente.
Para ele, os Brics não têm coerência como grupo político, por serem países muitos diferentes. Porém, precisam fazer parte da governança global. O’Neill prevê que eles se tornarão parte de um novo grupo, um G-9, menor e mais efetivo do que o G-20, a ser formado também por Estados Unidos, Japão, zona do euro, Reino Unido e Canadá.
Fanático por futebol e torcedor do Manchester United, ele diz que estará no Brasil para a Copa de 2014 – afinal, esteve em todos os quatro últimos mundiais. A seguir, os principais trechos da entrevista:
O sr., em algum momento, imaginou que o conceito dos Brics se tornaria tão famoso?
Eu nunca imaginei, isso mudou minha vida profissional. É extraordinário.
Se pudesse voltar no tempo, teria feito alguma escolha diferente?
Nos três primeiros anos, eu pensei sobre o México. Mas, quando olho para trás, não me arrependo. Na época, a escolha do Brasil foi a mais controversa.
A inclusão do Brasil foi sua maior aposta. Arriscado, não?
(Risos) Foi muito arriscado. Pessoas no Brasil dizem isso ainda hoje. Mas, como eu já estava no mercado há muitos anos, eu sabia da importância das metas de inflação. Isso foi o que realmente me influenciou.
No livro, o sr. menciona a resistência do seu colega do Goldman Sachs, Paulo Leme. Ele foi contra a inclusão do Brasil?
Ele ficou surpreso, não estava muito disposto. Mas, depois, ele deu muito apoio.
O sr. diz que a maior conquista do Brasil foi o controle da inflação. Algumas pessoas acreditam que o BC acaba de abandonar as metas de inflação. Como avalia?
Não acho que tenha abandonado. Mas não está tão independente como já foi. Talvez tenha apenas sido muito astuto quando olhou os problemas externos três meses atrás.
O sr. está preocupado com o controle da inflação no Brasil?
Não muito. Existe outro fator importante aqui: o Brasil tem o desafio da doença holandesa neste momento. O real subiu tão fortemente que as autoridades brasileiras precisam fazer algo. De certa forma, eu até admiro o fato de o Banco Central tomar certos riscos. Mas, eles precisam ter cuidados, é claro.
O sr. fala sobre o risco que a apreciação cambial traz ao País. Estamos vendo muita pressão no câmbio nos últimos dias com a crise europeia. Seria essa a reversão desordenada que o sr. teme?
A situação na Europa se tornou muito problemática nas últimas semanas, especialmente em relação à Europa. As autoridades europeias precisam ser mais decisivas, pois o mercado está muito nervoso. Falta confiança sobre as decisões políticas na Europa.
Essa turbulência pode afetar fortemente o real?
Já está afetando. A situação é muito frágil. Para ser honesto, muito vai depender da China. Se a China mostrar mais liderança, se a inflação lá cair e eles cortarem os juros e permitirem mais valorização da moeda, será muito importante para contrabalançar a crise na Europa.
Mas os Brics serão afetados pela crise europeia?
Claro, já estamos vendo isso. A zona do euro é um grande mercado. Isso afeta todo mundo, inclusive os Brics. Mas, deixe-me enfatizar: nos próximos 12 meses, o crescimento do PIB dos Brics será provavelmente igual a uma nova Itália. Precisamos manter essas coisas em perspectiva. É claro que a crise europeia pode afetar os Brics. Mas os Brics podem contrabalançar.
O sr. acredita que o Brasil entrará em recessão técnica?
Os dados mais recentes apontam que o PIB poderá se contrair no quarto trimestre. Mas acho que será temporário. Não tenho certeza de que o País entrará em recessão técnica.
Qual a taxa de crescimento que o sr. projeta para o Brasil nos próximos anos?
A tendência está entre 4% e 5%.
O sr. diz que os Brics não podem mais ser chamados de mercados emergentes. Qual é a perspectiva para que se tornem países desenvolvidos?
Acho que o Brasil tem, provavelmente, a maior chance. Até o fim desta década, a renda per capita terá dobrado. A economia está hoje perto de US$ 2 trilhões e o PIB per capita, próximo de US$ 15 mil. Talvez até o fim desta década seja de US$ 30 mil. Em 20 anos, o Brasil pode se tornar um país desenvolvido.
O que ainda precisa ser feito no Brasil?
Mais investimentos do setor privado e inovação.
Por que devemos acreditar que a China não é uma bolha, como o sr. argumenta? Há muita preocupação sobre a qualidade dos empréstimos, as dívidas locais e os preços das moradias.
Essa é uma visão muito popular. As pessoas precisam entender que os preços das casas na China estão caindo porque as autoridades estão tentando conter a alta. Não é um boom típico do Ocidente. É claro que não é o estouro de uma bolha, é o governo tentando conter.
O livro passa impressão de que o sr. não está tão entusiasmado com Rússia e Índia. É isso?
Interessante escutar isso. Eu estava tentando ser realista sobre os desafios. Sua conclusão está certa, eles ainda precisam fazer muitas coisas. O Brasil e a China estão à frente.
O sr. diz que os Brics têm limitações como grupo político porque são países muito diferentes.
O único ponto em comum é que eles têm populações muito grandes. E o desejo de ter mais sucesso.
Outro ponto em comum é a corrupção.
Sim. Mas há países do G-7 com esses problemas também. Muitas pessoas falam disso com mentalidade muito ocidental. Veja o que ocorreu na Itália nas últimas décadas: a Itália não está livre da corrupção.
Os Brics são ameaça ao G-7?
Não chamaria de ameaça. Os encontros de cúpula dos Brics destacam os acontecimentos econômicos do G-7. Foi como um oficial sênior do G-7 me disse recentemente: “Não podemos resolver nada sem a China”.
Como deve evoluir a governança global?
Todos os quatro Brics se tornarão parte de um novo grupo, menor que o G-20. Até o fim da década, estarão entre as dez maiores economias. Se a zona do euro sobreviver, se tornará apenas um grupo. Então, teremos Estados Unidos, Japão, a zona do euro, os quatro Brics e talvez o Reino Unido e o Canadá, no que seria o novo G-9.
O sr. também escreve que uma moeda comum dos Brics é muito improvável. Mas e a inclusão do yuan e até do real no Direito Especial de Saques (SDR, na sigla em inglês), a ‘moeda’ do Fundo Monetário Internacional?
Até 2020, sem dúvida é possível. Com base nas recentes definições do G-20, está claro que o yuan entrará até 2015. E o real poderia entrar até 2020.
E quando veremos um membro do Bric como chefe do FMI?
Em algum momento antes do fim desta década. Talvez o Armínio (Fraga, ex-presidente do Banco Central).
O sr. menciona isso no livro. Mas a indicação dele seria impossível no governo Dilma Rousseff.
Eu sei. Só estava tentando destacar que há pessoas preparadas.

domingo, 20 de novembro de 2011

O verdadeiro 11 de Setembro - Ken Loach

video

O Crepúsculo do Império e a Aurora da China

(publicado originalmente no site Carta Maior- www.cartamaior.com.br)

"Embora os EUA ainda sejam o pólo do sistema capitalista mundial, sua hegemonia cada vez mais se desvanece. O Império está falido. Com um PIB da ordem de $14,66 trilhões, sua dívida pública, em 9 de setembro de 2011, já estava em cerca de US$ 14,71 trilhões. A China tornou-se para os EUA o mais importante país do mundo. Atualmente, é o maior credor dos EUA, com reservas de mais de US$ 3 trilhões". Prólogo de Luiz Alberto Moniz Bandeira ao livro de Durval de Noronha Goyos, que foi lançado dia 10 de novembro, em São Paulo.

(*) Durval de Noronha Goyos lançou o livro "O Crepúsculo do Império e a Aurora da China", publicado pela Observador Legal, na quinta-feira, dia 10 de novembro, na Livraria da Vila, Alameda Lorena 1731, Piso Térreo - Jardins, São Paulo, SP. Luiz Alberto Moniz Bandeira assina o prólogo ao livro, que publicamos a seguir.

Prólogo

“In the councils of government, we must guard against the acquisition of unwarranted influence, whether sought or unsought, by the military-industrial complex. The potential for the disastrous rise of misplaced power exists and will persist.

We must never let the weight of this combination endanger our liberties or democratic processes. We should take nothing for granted. Only an alert and knowledgeable citizenry can compel the proper meshing of the huge industrial and military machinery of defence with our peaceful methods and goals, so that security and liberty may prosper together.”

Dwight Eisenhower [1] 

O crepúsculo do Império e a aurora da China é uma excelente imagem que Durval de Noronha Goyos escolheu para intitular a série de artigos sobre o declínio dos Estados Unidos, como potência econômica hegemônica, e o advento da China, que se tornará a maior economia mundial, em 2016. 

Trata-se de um conjunto de artigos muito importantes e oportuno, porquanto apresenta uma lúcida percepção das mudanças na correlação mundial de forças, demonstrando a erosão que corrói o Império Americano, à beira da recessão e cuja segurança depende cada mais do poder militar, a um custo insustentável, em contraste com o alvorecer da China, a crescer 9.5%, em 2011, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI), não obstante a profunda crise econômica e financeira na qual os Estados Unidos e a União Européia estão submersos.

Há alguns acadêmicos que tentam negar o declínio, com o argumento de que os EUA ainda são a maior potência militar do planeta, havendo conquistado a hegemonia com a 2ª Guerra Mundial e consolidado e ao fim da Guerra Fria. Realmente os Estados Unidos possuem um poderio militar incomparável, com um poder de destruição sem paralelo na história e dispõem de meios para intervir imediata e efetivamente em qualquer região do mundo. 

Desde as bombas nucleares lançadas contra Hiroshima e Nagasaki, matando um total de cerca de 199.000 pessoas [2], em 1945, os Estados Unidos produziram cerca de 70.000 armas nucleares de 72 tipos. Ao fim da Guerra Fria, em 1991, possuíam um arsenal ativo da ordem de 23.000 artefactos nucleares dos 26 tipos principais. E nunca cessaram completamente de produzi-los [3]. Um estudo realizado no Brooking Institute, de Washington, estimou que os custos em armamentos nucleares, desde a II Guerra Mundial até 2007, foram da ordem de US$ 7,2 trilhões, e o total dos gastos militares, no mesmo período de meio século, alcançou o montante de US$ 22,8 trilhões [4]. 

De acordo com o Annual Report of Implementation of the Moscow Treaty, os Estados Unidos mantinham, em 31 de dezembro de 2007, cerca de 2.871 ogivas nucleares estratégicas em condições operativas, i. e., prontas para lançamento, mais 2.500 como reserva (ativas e inativas), e outras 4.200 retiradas para seu desmantelamento. O total do stock era de 9.400 armas nucleares, de todas as categorias [5]. 

Após a II Guerra Mundial, os Estados Unidos instalaram bases militares nos mais diversos países da Europa, tais como Alemanha, França, Grã-Bretanha, Espanha e Itália, a pretexto de conter a União Soviética e a expansão do comunismo. E, durante a Guerra Fria, estacionaram armamentos nucleares em 27 países estrangeiros e territórios, entre os quais Japão, Alemanha, Groenlândia e Turquia. O Bloco Socialista e a União Soviética implodiram entre 1989 e 1991. Os partidos comunistas virtualmente desapareceram na Europa. Entretanto, em 2006, os Estados Unidos ainda possuíam um arsenal de 9.960 ogivas intactas, das quais 5.735 eram consideradas ativas e operacionais. E, de acordo com oDepartment of Defense’s 2010 Base Structure Report, o Pentágono ainda mantém um total de 4.999 instalações militares em 50 Estados americanos, sete territórios e em outros 38 países estrangeiros. No exterior, a maioria das instalações, que incluem bases do Exército, Marinha, Força Aérea,Marine Corps, Washington Headquarters Services (WHS), está na Alemanha (218), Japão (115) e Coréia do Sul (86). [6] 

Segundo as estimativas, o total, em todo o mundo, ultrapassa 1.000 bases militares. Alguns calculam 1.077, outros 1.088, outros 1.160 ou mesmo 1.180. Realmente o número pode ser mais alto, porém ninguém está certo quanto ao total [7]. E desde os atentados terroristas de 11 de setembro o número ainda mais recresceu, com a instalação de bases no Quirguistão, Paquistão, Afeganistão, Uzbequistão, Iraque, Djibouti e em diversos outros países da Ásia e da África, bem como da América Latina. O que realmente conta é a obsessão do Pentágono por controlar o mapa do gás e do petróleo. 

Contudo, desde a derrota das potências do Eixo, em 1945, os Estados Unidos não venceram nenhuma outra guerra. A guerra na Coréia (1950-1953) demonstrou que não eram onipotentes. Henry Kissinger qualificou como “inconclusive” essa guerra, que deixou um saldo de 150.000 americanos mortos, feridos e desaparecidos. A guerra no Vietnã (1959-1975) resultou em um dramático fiasco. Comprovou que a força militar dos Estados Unidos, por maior que fosse, não lhes podia assegurar o triunfo. 

Os Estados Unidos possuíam (e possuem) ilimitada capacidade de destruição, inclusive armas nucleares, mas não tinham condições políticas e morais para usá-las. As conseqüências seriam imprevisíveis. Porém todo o seu poderio militar não bastava para dar-lhes a vitória sobre forças que viviam no seu próprio habitat, na mais perfeita simbiose com a natureza e sobreviviam nas condições mais primitivas, combatiam extremamente bem, com eficiência e recebiam o mais amplo suporte da população, em todos os lugarejos do Vietnã do Sul. E, desde 2001-2003, os Estados Unidos estão chafurdados nas guerras no Afeganistão e no Iraque, onde os ataques e atentados se intensificaram, países dos quais não conseguem retirar totalmente suas tropas. 

O relatório Costs of War, preparado por acadêmicos, participantes do Eisenhower Research Project do Watson Institute for International Studies, da Brown University, informa que os custos financeiros das Operations Enduring Freedom, Iraqi Freedom, New Dawn, situam-se entre US$ 3,2 e US$ 4 trilhões. Há muitos outros custos que não puderam ser quantificados, mas as guerras contra o terror, empreendidas pelos Estados Unidos, foram quase totalmente financiadas por empréstimos, juros de US$ 185 bilhões já pagos ou a pagar, e outro US$ 1 trilhão pode aumentar até 2020 [8]. Somente o complexo industrial-militar recebeu os benefícios. 

O poderio militar dos Estados Unidos, no entanto, tem limites econômicos e financeiros. O crescimento das despesas militares no exterior, subindo US$ 800 milhões, em 1967, e mais US$ 600 milhões, em 1968, produziu forte impacto sobre o balanço de pagamento dos Estados Unidos, que teve um déficit de US$ 9,8 bilhões em 1970 [9]. O saldo comercial entre 1970 e 1971 desapareceu, em conseqüência do declínio das exportações, desde 1968. A inflação, da ordem de 1,5% em 1961, saltou para 4,7%, em 1968/69 [10]. O PIB dos Estados Unidos, que se duplicara durante a Segunda Guerra Mundial e representara 34% da produção mundial até 1970, baixou para menos de 30%, em 1971. O dólar enfraqueceu-se. E a vulnerabilidade econômica dos Estados Unidos abalou a estabilidade do sistema monetário internacional, que passara a depender de sua política monetária, manejada unilateralmente, desde o Acordo de Bretton Woods (Bretton Woods Agreement), de 1944, estabelecendo que cada país devia manter a taxa de câmbio de suas moedas, indexada de certo modo ao dólar, cujo valor estaria baseado no padrão-ouro, numa base fixa de 35 dólares por onça Troy (31,103478 gramas de ouro).

Os presidentes Lyndon Johnson (1963-1969) e Richard Nixon (1969-1974) não cumpriram, entretanto, as regras para as relações comerciais e financeiras acordadas em Bretton Woods. Emitiram e lançaram em circulação mais dólares do que podiam lastrear com o ouro existente no Fort Knox, conforme o acordo de Bretton Woods, a fim de financiar as importações dos Estados Unidos e os custos da Guerra Fria e da guerra no Vietnã, Camboja e Laos. Todas as reservas de ouro estocadas no Fort Knox já estavam virtualmente esgotadas em 1970. Só restavam 1.000 das 8.500 toneladas que supostamente lá estavam depositadas. E as reservas em dólar, em posse dos bancos estrangeiros, haviam saltado de US$ 23,8 bilhões para US$ 36 bilhões, em julho de 1971 e, no mês seguinte, para US$ 40 bilhões, três vezes mais do que os Estados Unidos necessitavam para honrar as obrigações contraídas em Bretton Woods [11]. 

Daí que, naquele ano, sem, consultar os demais países, o presidente Nixon aboliu, unilateralmente, a conversibilidade direta do dólar em ouro. A ordem monetária e o Sistema Bretton Woods de coordenação econômica internacional sofreram um colapso. E, dois anos depois, em 1973, o presidente Nixon, ante o agravamento da crise, teve de desvalorizar o dólar, em 10%, rompendo tanto o Smithsonian Agreement quanto oEuropean Joint Float, e pavimentando o caminho para a livre flutuação das moedas. O dólar, que só os Estados Unidos podiam produzir, transformou-se na divisa fiduciária internacional. O presidente da França, general Charles de Gaulle, acusou então os Estados Unidos, de assumirem um “privilégio exorbitante”, na medida em que podiam continuar financiando seus déficits com a emissão de mais dólares e colocá-los em circulação [12].

A ruptura definitiva do padrão-ouro, a contundente derrota no Vietnam, o escândalo de Watergate e o apoio aos golpes militares e às ditaduras na América Latina e em outras regiões, entre outros fatores, começaram a assinalar o declínio econômico, político e moral dos Estados Unidos. O complexo industrial-militar já havia capturado e mantinha como refém todos os governos, fossem do Partido Republicano ou Democrata. E seus gastos militares continuaram a crescer, para a sustentação da indústria bélica e de sua cadeia produtiva, gerando a necessidade de permanente guerra e de reais ou supostas ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos, a fim de consumir os armamentos produzidos e reproduzir o capital.

De 1940-1996, os Estados Unidos gastaram, no mínimo, US$ 5,5 trilhões em seu programa de armamentos nucleares, sem contar as cifras da produção de armamentos convencionais. E esse valor não incluía US$ 320 bilhões estimados para os futuros custos anuais de armazenamento e remoção do valor acumulado do lixo radioativo e tóxico, em mais de cinco décadas, US$ 20 bilhões para o desmantelamento do sistema de armas nucleares e remoção dos excedentes materiais atômicos. Com todos esses elementos contabilizados, o total dos custos do programa de armamentos nucleares dos Estados Unidos, até 1996, ultrapassou o montante US$ 5,8 trilhões [13]. E nenhum governo podia converter realmente a indústria bélica para fins civis, sem acarretar profundas implicações políticas, na medida em que aumentaria o número de desempregados e abalaria as atividades econômicas de diversas regiões (Texas, Missouri, Florida, Maryland e Virginia), onde estão as indústrias especializadas em armamentos com tecnologia intensiva de capital, cujo interesse é experimentá-los em guerras reais, a fim de que o Pentágono possa esvaziar os arsenais, promover os armamentos, vendê-los a outros países e fazer novas encomendas, que geram polpudas comissões e dividendos. 

Muitas outras regiões dos Estados Unidos são beneficiadas pela produção, deslocamento, operações e manutenção das forças nucleares. Conforme avaliou de William J. Weida, do Brooking Institute, a Califórnia, a partir de 1980, passou a depender mais do que qualquer outro Estado das despesas militares do Pentágono, a maioria das quais nos programas dos bombardeiros B-1 e B-2, os mísseis Trident I e Trident II, os mísseis MX, bem como do projeto Strategic Defense Initiative e do programa de satélites Military Strategic and Tactical Relay (MILSTAR) [14]. Em 1986, as corporações empreiteiras (contractors) do Pentágono, na Califórnia, receberam 20% do orçamento de Departamento de Defesa, enquanto Nova York, Texas e Massachusets apropriaram-se de 21% [15]. Os imensos custos dos Estados Unidos com a produção de armamentos não decorrem tanto de fatores de segurança quanto de incoercíveis necessidades econômicas. 

O Império Americano necessita de guerras para manter sua economia em funcionamento, evitar o colapso da indústria bélica e de sua cadeia produtiva e evitar o aumento do número de desempregados e a bancarrota de muitos Estados americanos, cuja receita depende da produção de armamentos. 

Embora os Estados Unidos ainda sejam o pólo do sistema capitalista mundial, sua hegemonia cada vez mais se desvanece. Como bem salientou Durval de Noronha Goyos, o Império Americano está falido. Com um PIB da ordem de $14,66 trilhões (2010 est.), sua dívida pública, em 9 de setembro de 2011, já estava em cerca de US$ 14,71 trilhões, dos quais US$ 10,07 trilhões em poder do público e US$ 4,64 trilhões administrados pelo governo federal. Em fim de junho de 2011 seu PIB era estimado em cerca de US$ 15,00 trilhões, porém com uma dívida pública equivalente a 98% desse montante [16]. E seu déficit comercial, em junho deste mesmo ano, 2011, aumentou para US$ 53,1 bilhões contra US$ 50,8 bilhões, em maio. 

Os Estados Unidos estão chafurdados em dívidas, por diversos fatores, sobretudo porque produzem menos do que consomem. Dependem de tudo, inclusive de capitais e financiamentos. Como bem observaram Bill Bonner e Addison Wigging, “a nação mais rica, mais poderosa do mundo, depende das poupanças dos países mais pobres” [17].

Em 2007, David M. Walker, Comptroller General of the United States (1998- 2008), advertiu que o governo americano estava sobre uma “burning platform” de insustentáveis políticas e práticas, com déficits fiscais, crônica insuficiência de recursos para a assistência à saúde, imigração e comprometimentos militares além-mar, ameaçando uma crise, se não fosse logo tomada uma atitude [18]. E apontou “striking similarities” entre a situação do Império Americano e os fatores que produziram a queda de Roma, inclusive o “declining moral values and political civility at home, an over-confident and over-extended military in foreign lands and fiscal irresponsibility by the central government”. [19]

Ao contrário do Estados Unidos, cuja crise financeira praticamente havia principiado nos anos 1970, quando o governo do presidente Richard Nixon não pôde sustentar o dólar com o padrão-ouro, a China, após o falecimento de Mao Tse-tung, começou economicamente a aflorar. Deng Xiaoping (1904-1997), ao recuperar o poder, após um período de ostracismo durante a chamada Revolução Cultural (1966-1976), tratou de empreender as reformas econômicas, de modo similar ao que Lenin tratou de promover na Rússia, após o término da guerra civil em 1921, quando a gravidade de sua situação econômica, social e política, atingira as mais trágicas dimensões e ameaçara a própria sobrevivência do Estado soviético. Diante de tal situação, Lenin recuou do “comunismo militar” ou “comunismo de guerra”, implantado durante os anos da guerra civil. 

Com a adoção da NEP (Novaia Ekonomitcheskaia Politika), ele restabeleceu o funcionamento da economia de mercado, instituindo o capitalismo de Estado, não como propriedade e operação das empresas pelo Estado, mas como capitalismo privado, permitido e controlado pelo Estado.

Deng Xiaoping e os dirigentes da China haviam percebido que não podiam manter o mesmo modelo de socialismo, implantado na União Soviética por Stalin, após extinguir a NEP em 1927, pois nem Marx nem Engels jamais conceberam o socialismo como via de desenvolvimento ou modelo alternativo para o capitalismo, senão como consequência de seu desenvolvimento. Sem o rápido aperfeiçoamento dos instrumentos de produção e o constante progresso dos meios de transporte e de comunicação, com que a burguesia arrastava até as nações mais bárbaras à civilização [20], não seria possível chegar ao socialismo. 

O que o viabilizava, cientificamente, era o alto nível de desenvolvimento das forças produtivas, que o capitalismo impulsionava, porquanto somente seria possível realizá-lo, elevando a oferta de bens e serviços, em quantidade e em qualidade, a um nível em que a liquidação das diferenças de classe constituísse verdadeiro progresso e tivesse consistência, sem acarretar consigo o estancamento da sociedade e, inclusive, a decadência do seu modo de produção [21].

Ao fim dos anos 1970, a China começou a promover reformas econômicas, autorizando os chineses a realizar empreendimentos comerciais privados e abrindo o país aos investimentos estrangeiros. O Estado deixou de ser o único dono dos meios de produção. E Deng Xiaoping, visando a revitalizar a economia a partir das zonas rurais, instituiu o estabelecimento de contratos de produção com agricultores individuais e o desenvolvimento de empresas rurais, do mesmo modo que, no setor urbano, concedeu autonomia de gestão às empresas estatais e promoveu a descentralização regional, investimentos e desregulamentação dos preços. Jiang Zemin e Li Peng, sucedendo a Deng Xiaoping, impulsionaram a reorganização institucional no governo e no Partido Comunista da China, e empreenderam a reforma do sistema financeiro, reforma fiscal, e estabeleceram o regime empresarial. 

Tais reformas possibilitaram o extraordinário crescimento econômico [22], cuja taxa subira de 4,5%, na década de 1960-1970, para 5,8%, entre 1970 e 1980, e saltara para 8,5%, na década de 1980-1990, enquanto a taxa de crescimento dos Estados Unidos declinava de 3,8%, na década de 1960-1970, para 2,7%, entre 1970 e 1980, e 2,8%, na década de 1980-1990, baixando para - 0,7%, em 1991, ano em que a própria União Soviética se desintegrou, após a dissolução do Bloco Socialista. 

A China, em termos estratégicos, tornou-se para os Estados Unidos o mais importante país do mundo no último quartel do século XX e começou a receber enorme influxo de homens de negócios das potências capitalistas do Ocidente. Atualmente, 2011, a China é o maior credor dos Estados Unidos, com reservas de mais de US$ 3 trilhões, como salientou Durval de Noronha Goyos, das quais apenas US$ 1,145 trilhão estão investidos em U.S. Treasuries, pouco mais de um terço do volume total, dado que, diante da extrema fragilidade da economia americana, ela continua a diversificar o perfil de suas aplicações em outras divisas. 

A dívida soberana dos Estados Unidos, evidentemente, já não é o instrumento mais seguro para armazenar o valor das reservas. Contudo, a China ainda não pode desfazer-se totalmente das reservas em dólares, que agora representam apenas pouco menos de 10% do PIB americano, porquanto a quebra dos Estados Unidos também lhe traria imensos prejuízos. Não sem razão Wen Jiabao, primeiro-ministro da República Popular da China, declarou que 

“however, when we talk about the primary stage, we should not just think about the underdeveloped productive forces. We should also recognize that the socialist system still has room for improvement and that it is not yet a mature one. Comrade Deng Xiaoping pointed out that in essence, socialism is about liberating and developing the productive forces, eliminating exploitation and polarization, and ultimately, it is about achieving prosperity for all.”

E acentuou que 

“without the sustained and full development of productive forces, it will be impossible to achieve social fairness and justice, an essential requirement of socialism” [23]

Wen Jiabao previu o “primary stage of socialism for the next 100 years” e afirmou que o Partido Comunista da República Popular da China persistiria executando as reformas e inovação para assegurar o vigor e vitalidade e assegurar o socialismo com as características chinesas [24]. Isto não significa que a aurora da China possa já configurar o advento do socialismo. O capitalismo foi o único modo de produção que teve a capacidade de expandir-se por todos os continentes e estabelecer, com a criação do mercado mundial e a divisão internacional do trabalho, uma ordem econômica internacional, integrando, como um bloco assimétrico, potências industriais e países agrícolas e atrasados ou em desenvolvimento, denominados periféricos e emergentes. Daí a impossibilidade de instituir, na moldura nacional, um sistema harmônico e auto-suficiente, com todos os ramos econômicos, sem considerar as condições geográficas, históricas e culturais do país, que somente constitui um elemento da unidade econômica mundial. E, conforme Karl Marx concluiu das suas pesquisas, uma formação social nunca des¬morona sem que as forças produtivas dentro dela estejam suficientemente desenvolvidas, e que as novas relações de produção superiores jamais aparecem, no lugar, antes de que as condições materiais de sua existência sejam incuba¬das nas entranhas da própria sociedade antiga [25].

A emergência da China como a maior potência econômica mundial marcará o século XXI.

Luiz Alberto Moniz Bandeira
St. Leon-Rot (Baden-Württemberg), set. 2011


NOTAS

[1] “Military-Industrial Complex Speech”, Dwight D. Eisenhower, 1961 Public Papers of the Presidents, Dwight D. Eisenhower, 1960, p. 1035- 1040.

[2] Atomic Archive. The Atomic Bombings of Hiroshima and Nagasaki. http://www.atomicarchive.com/Docs/MED/med_chp10.shtml

[3] U.S. Nuclear Weapon Enduring Stockpile 
http://nuclearweaponarchive.org/Usa/Weapons/Wpngall.html

[4] Stephen I. Schwartz . “The Costs of U.S. Nuclear Weapons”. James Martin Center for Nonproliferation Studies - Monterey Institute for International Studies. http://www.nti.org/e_research/e3_atomic_audit.html

[5] U.S. Departament of State. 2008 Annual Report on Implementation of the Moscow Treaty - Bureau of Verification, Compliance, and Implementation (VCI) - Washington,DC - May 13, 2008. FAS Strategic Security Blog. Comments and analyses of important national and international security issues
http://www.fas.org/blog/ssp/2009/02/sort.php
McNamara, Robert. “Apocalypse Soon”. Foreign Policy, May/June 2005. http://www.foreignpolicy.com

[6] Departament of Defense – Base Structure Report – FY 2010 Base line - http://www.acq.osd.mil/ie/download/bsr/bsr2010baseline.pdf

[7] The Nation - America's Empire of Bases 2.0 - 2011-01-10 (http://www.thenation.com); Turse, Nick. Empire of Bases 2.0 - Does the Pentagon Really Have 1,180 Foreign Bases? http://www.tomdispatch.com/archive/175338/

[8] Brown University – ‘Costs of War’ Project - “Estimated cost of post-9/11 wars: 225,000 lives, up to $4 trillion” - June 29, 2011-09-04 - http://news.brown.edu/pressreleases/2011/06/warcosts

[9] SOLOMON, Robert. The international monetary system, 1945-1976: an insider’s view. New York: Harper & Row, pp. 102-103.

[10] NIXON, Richard M. Memoirs. New York.: Grosset & Dunlap, 1978, p. 516.

[11] BUNDY, William. A tangled web: the making of foreign policy in the Nixon presidency. New York: Hill and Wang – Farrar, Straus and Giroux, 1998, p- 361.

[12] Norte-Sur. Un programa para la supervivencia. Informe de la Comisión Independiente sobre Problemas Internacionales del Desarrollo presidida por Willy Brandt. The Independente Comisión on International Development Sigues. Bogotá: Editorial Pluma, 1980, p. 305.

[13] SCHWARTZ, Stephen I. (ed.). Atomic Audit : The Costs and Consequences of U. S. Nuclear Weapons since 1940- Washington: Brookings Institution Press, 1998, p.3.

[14] WEIDA, William J. „The Economic Implications of Nuclear Weapons and Nuclear Dterrence”, in SCHWARTZ, Stephen I. (ed.). Atomic Audit : The Costs and Consequences of U. S. Nuclear Weapons since 1940- Washington: Brookings Institution Press, 1998, p. 524.

[15]Ibidem, p. 524, n. 10.

[16] The Budget Control Act & Federal Deficit Reduction - September 20, 2011
http://edr.state.fl.us/Content/presentations/Budget/TheBudgetControlAc

[17] BONNER, Bill & WIGGIN, Addison. Empire ob Debt. The Rise of an Epic Financial crisis. New Jersey: John Wiley & Sons, 2006, p. 276

[18] Jeremy Grant. “Learn from the fall of Rome, US warned”. Financial Times. 14/08/2007.

[19] Ibidem.

[20] MARX, Karl & ENGELS, Friedrich Ausgewählte Werke. Band II, Berlim, - Dietz Verlag, 1981, p. 8-9.

[21] Engels, F. "Soziales aus Rußland", in Marx. & Engels, Band 18, 1976, pp. 556-559. Esse mesmo artigo consta também em: Marx, K. e Engels, F. Ausgewählte Schriften, Band II, Berlin, Dietz Verlag, 1976, p. 39.

[22] Na China, o setor privado passou a representar 39% do PIB, o setor público, 36%, sendo os 25% restante creditado à produção das áreas rurais e às cooperativas.

[23] Wen Jiabao - “Our Historical Tasks at the Primary Stage of Socialism and Several Issues Concerning China's Foreign Policy” – Tradução oficial. Embassy of The People’s Republic of China in Uganda, ug.china-embassy.org/eng/xwdt/t302141.htm

[24] bidem.

[25] “Eine Gesellschaftsformation geht nie unter, bevor alle Produktivkräfte entwickelt sind, für die sie weit genug ist, und neue höhere Produktionsverhältnisse treten nie an die Stelle, bevor die materiellen Existenzbedingungen derselben im Schoß der alten Gesellschaft selbst ausgebrütet worden sind.” Marx, Karl, Zur Kritik der Politischen Ökonomie Vorwort, in Marx, K. e Engels, F. Werke, Band 13, Berlin, Dietz Verlag, 1981, pp. 8-9.,

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Getúlio e Lula: o mesmo combate

Há pouco mais de meio século – em 1954 -, em um dia 24 de agosto, morria Getúlio Vargas, o mais importante personagem da história brasileira no século passado. Ele havia sido antecedido na presidência do país por Washington Luis (como FHC, carioca recrutado pela elite paulista), que se notabilizou pela afirmação de que “A questão social é questão de polícia”, que erigiu como brasão de seu governo, produto da aliança “café com leite”, das elites paulista e mineira (essa que FHC queria reviver).

Getúlio liderou o processo popular mais importante do século passado no Brasil, dando inicio à construção do Estado nacional, rompendo com o Estado das oligarquias regionais primário-exportadoras, e começando a imprimir um caráter popular e nacional ao Estado brasileiro.

Um país que tinha tido escravidão até pouco mais de 4 décadas – o ultimo a terminar com a escravidão nas Américas - , que significava que o trabalho era atividade reservada a “raças inferiores”, passava a ter um presidente que interpelava os brasileiros no seu discurso com “Trabalhadores do Brasil”. Fundou o Ministério do Trabalho, deu inicio à Previdência Social, fazendo com que a questão social passasse de “questão de policiai”, a responsabilidade do Estado.

Começou a aparelhar o Estado para ser instrumento fundamental na indução do crescimento econômico que, junto às políticas de industrialização substitutiva de importações, deu inicio ao mais longo ciclo de expansão da história do Brasil. Promoveu a expansão da classe operária, criou as carreiras públicas no Estado, impulsionou a construção de um projeto nacional, de uma ideologia da soberania nacional, organizou um bloco de forças que levou a cabo o processo de industrialização, de urbanização, de modernização do Brasil.

Getúlio pagou com sua vida a audácia da fundação da Petrobrás, no seu segundo mandato. Foi vítima dos tucanos da época, com o corvo mor Carlos Lacerda como golpista de plantão. Tal como agora, detestavam tudo o que tivesse que ver com o povo, com nação, com Estado. Resistiram à campanha “O petróleo é nosso”, como entreguistas e representantes do império norteamericano aqui. A direita nunca perdoou Getúlio.

Os corvos daquela época – tal como os de hoje – desapareceram na poeira do tempo. Seu continuador, FHC, afirmou que ia “virar a página do getulismo”, porque sabia que o neoliberalismo seria incompatível com o Estado herdado do Getúlio. Fracassou seu governo e o projeto de Estado mínimo dos tucanos.

A figura de Getúlio permanece como referência central do povo brasileiro e se revigora com o governo Lula. Com a consolidação da Petrobrás, com a retomada do papel do Estado indutor do desenvolvimento econômico, da afirmação dos direitos sociais dos trabalhadores e da massa da população.

São Paulo, que promoveu uma tentativa de derrubada do Getúlio em 1932 – movimento caracterizado por Lula como uma tentativa de golpe -, promove Washington Luis e o 9 de Julho (de 1932), com nomes de avenidas, estradas e ruas, mas não tem nenhum espaço público importante com o nome do Getúlio. Não por acaso São Paulo representa hoje o ultimo grande bastião da direita, das forças e do pensamento conservador, no Brasil.

Getúlio foi um divisor de águas na história brasileira, como hoje é Lula. Diga-me o que pensa de Getúlio e de Lula e eu te direi quem você é politicamente. O dia 24 de agosto encontra o Brasil reencontrado com o Estado nacional, democrático e popular, com a soberania na política externa, com o regaste do mundo do trabalho, com mais uma derrota da direita. O fio condutor da história brasileira passa pelos caminhos abertos e trilhados por Getúlio e por Lula.   Postado por Emir Sader às 04:08
Há pouco mais de meio século – em 1954 -, em um dia 24 de agosto, morria Getúlio Vargas, o mais importante personagem da história brasileira no século passado. Ele havia sido antecedido na presidência do país por Washington Luis (como FHC, carioca recrutado pela elite paulista), que se notabilizou pela afirmação de que “A questão social é questão de polícia”, que erigiu como brasão de seu governo, produto da aliança “café com leite”, das elites paulista e mineira (essa que FHC queria reviver).

Getúlio liderou o processo popular mais importante do século passado no Brasil, dando inicio à construção do Estado nacional, rompendo com o Estado das oligarquias regionais primário-exportadoras, e começando a imprimir um caráter popular e nacional ao Estado brasileiro.

Um país que tinha tido escravidão até pouco mais de 4 décadas – o ultimo a terminar com a escravidão nas Américas - , que significava que o trabalho era atividade reservada a “raças inferiores”, passava a ter um presidente que interpelava os brasileiros no seu discurso com “Trabalhadores do Brasil”. Fundou o Ministério do Trabalho, deu inicio à Previdência Social, fazendo com que a questão social passasse de “questão de policiai”, a responsabilidade do Estado.

Começou a aparelhar o Estado para ser instrumento fundamental na indução do crescimento econômico que, junto às políticas de industrialização substitutiva de importações, deu inicio ao mais longo ciclo de expansão da história do Brasil. Promoveu a expansão da classe operária, criou as carreiras públicas no Estado, impulsionou a construção de um projeto nacional, de uma ideologia da soberania nacional, organizou um bloco de forças que levou a cabo o processo de industrialização, de urbanização, de modernização do Brasil.

Getúlio pagou com sua vida a audácia da fundação da Petrobrás, no seu segundo mandato. Foi vítima dos tucanos da época, com o corvo mor Carlos Lacerda como golpista de plantão. Tal como agora, detestavam tudo o que tivesse que ver com o povo, com nação, com Estado. Resistiram à campanha “O petróleo é nosso”, como entreguistas e representantes do império norteamericano aqui. A direita nunca perdoou Getúlio.

Os corvos daquela época – tal como os de hoje – desapareceram na poeira do tempo. Seu continuador, FHC, afirmou que ia “virar a página do getulismo”, porque sabia que o neoliberalismo seria incompatível com o Estado herdado do Getúlio. Fracassou seu governo e o projeto de Estado mínimo dos tucanos.

A figura de Getúlio permanece como referência central do povo brasileiro e se revigora com o governo Lula. Com a consolidação da Petrobrás, com a retomada do papel do Estado indutor do desenvolvimento econômico, da afirmação dos direitos sociais dos trabalhadores e da massa da população.

São Paulo, que promoveu uma tentativa de derrubada do Getúlio em 1932 – movimento caracterizado por Lula como uma tentativa de golpe -, promove Washington Luis e o 9 de Julho (de 1932), com nomes de avenidas, estradas e ruas, mas não tem nenhum espaço público importante com o nome do Getúlio. Não por acaso São Paulo representa hoje o ultimo grande bastião da direita, das forças e do pensamento conservador, no Brasil.

Getúlio foi um divisor de águas na história brasileira, como hoje é Lula. Diga-me o que pensa de Getúlio e de Lula e eu te direi quem você é politicamente. O dia 24 de agosto encontra o Brasil reencontrado com o Estado nacional, democrático e popular, com a soberania na política externa, com o regaste do mundo do trabalho, com mais uma derrota da direita. O fio condutor da história brasileira passa pelos caminhos abertos e trilhados por Getúlio e por Lula.   Postado por Emir Sader às 04:08 23/08/2010

As 10 estratégias de manipulação midiática

As 10 estratégias de manipulação midiática

24/11/2010 17:42,  Por Noam Chomsky - de Boston, EUA
1. A estratégia da distração. O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).
2. Criar problemas e depois oferecer soluções. Esse método também é denominado “problema-ração-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” previsa para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceitas. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.
3. A estratégia da gradualidade. Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
4. A estratégia de diferir. Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e desnecessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrificio imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.
5. Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade. A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Ae alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou ração também desprovida de um sentido crítico (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.
6. Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão. Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de aceeso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos…
7. Manter o público na ignorância e na mediocridade. Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).
8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade. Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.
9. Reforçar a autoculpabilidade. Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo se autodesvalida e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E sem ação, não há revolução!
10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem. No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem disfrutado de um conhecimento e avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.
Noam Chomsky é linguista, filósofo e ativista político estadunidense. Professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts